Renata Silva é professora em uma escola particular e sofre muito com problemas de garganta. Vive rouca e isso atrapalha seu desempenho profissional, pois precisa fazer um grande esforço para ser ouvida durante as aulas. A professora procurou um médico otorrinolaringologista, que a aconselhou a fazer um exame de videolaringoscopia, onde foi detectado que ela estava começando a ter calo nas cordas vocais. O médico indicou um tratamento com uma fonoaudióloga, para que Renata aprendesse a utilizar a voz de forma correta para evitar mais problemas.
A voice coach Sônia Mazetto diz que o problema é muito mais comum do que se imagina e pode acometer pessoas de todas as idades. Ela explica que saber usar a voz corretamente é a melhor maneira de prevenir esses problemas. "Sem falar que a voz é um instrumento que pode alavancar a carreira de uma pessoa, pois ela faz parte da nossa apresentação pessoal", ressalta, explicando que desenvolve um conjunto de técnicas para otimizar o uso da voz. Esse trabalho pôde ser conferido na oficina “A Voz Como Instrumento de Trabalho”, realizada no auditório da Fecomércio, em Cuiabá, no dia 10. A palestra faz parte da programação do 8º Março é Mulher, realizado pela BPW Cuiabá e o Sebrae Mato Grosso. Ela explica que o Voice Coaching é um treinamento que visa aprimorar a fala para melhorar a comunicação, associando a mente e o corpo à voz, trabalhando os mecanismos da fala para torná-la uma aliada dentro da profissão.
Durante a oficina ela revelou que a voz de um indivíduo influencia os outros a sua volta e vice-versa, por isso é importante que ela tenha qualidade. “Pessoas que têm voz irritante acabam afastando quem está por perto, assim como sotaques muito carregados”, comentou. Outro ponto ressaltado pela fonoaudióloga foi sobre a energia empregada no ato da fala. “Por exemplo, vendedores que falam com energia, convencem mais os clientes do que aqueles que falam com menos força”, disse.
Sônia explicou que, para que a voz tenha mais energia, é preciso que ela seja produzida no diafragma. “A energia da voz é produzida quatro dedos abaixo do umbigo. Quando falamos ou cantamos com o diafragma contraído, a voz sai mais enérgica e a postura da pessoa também melhora”, revelou. Ela também falou sobre os alimentos que podem causar pigarro, atrapalhando a fala. “Antes de uma reunião importante ou de proferir uma palestra é bom que a pessoa evite ingerir chocolate, leite, café, frutas, porque esses alimentos deixam resíduos na garganta e fazer com que o interlocutor sinta a necessidade de pigarrear”, comentou.
Para Letícia Lima, que trabalha na área de recursos humanos do Comper Supermercados, a palestra foi altamente produtiva. “No meu trabalho preciso usar muito a minha voz, pois eu recebo os funcionários novos, apresento-os para os outros colegas, ministro palestras na empresa, entre outras coisas. Com certeza vou usar muita coisa que aprendi aqui quando estiver trabalhando”, animou-se. Para sua colega de trabalho, a secretária regional do Comper, Sirlei Rodrigues Paiva, a oficina vai ajudá-la quando precisar falar em público. “Tenho problemas para falar na frente de muitas pessoas, mas acredito que com as técnicas que aprendi aqui, vou me sair bem melhor”, finalizou Sirlei.